"Quando somos jovens não julgamos bem; quando somos velhos, também não."
Introdução
Grupo de jovens, mais ou menos coerentes, uns de esquerda outros de direita, outros nem sabem de onde, deram por si a debater os mais variados assuntos a cada encontro. Ora economia ora desporto, passando pela religião até aquilo que em Portugal se chama de Política.Com a evolução dos seus percursos pessoais, e da necessidade de um local para promover essas trocas de opiniões, (já fartos de serem expulsos de certos cafés) quatro deles juntam-se e nasce este espaço. Um local para todos, onde todas as opiniões serão bem-vindas desde que civilizadas, que seja também a vossa casa. Sim, nós sabemos que parece um T1 em Sacavém, com vista para a linha do comboio. Mas não dá para mais, estamos à rasca.
Ontem a denominada esquerda portuguesa sofreu uma derrota pesadíssima. É um facto. Que fez tudo para que isso acontece-se é outro. E assim de fecha um ciclo na esquerda portuguesa. Mas não se fecha a esquerda, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa.
O PCP não entra nestas contas, tem um eleitorado fixo e estável, varia muito pouco. É coeso e tem uma forte máquina partidário, ou seja nunca sobre muito nem desce muito. Já o Bloco e o Partido Socialista são os grandes derrotados destas eleições, e apenas por culpa própria. O bloco de há um ano para cá, tem enfrentado grandes cisões internas fruto de políticas controversas. O apoio a Manuel Alegre, numa tentativa de consolidação próxima do PS pouco efeito surgiu, pois os militantes socialistas não olharam para o bloco como alternativa nesse prisma. O bloco procurou seguir outro tipo de política, o de ser uma alternativa válida à esquerda, mas errou no caminho. Ao não negociar com a troika, transformou-se num partido meramente contestatário, e para isso já temos o original. Ao ser uma cópia do PCP, o BE só perde. Dele, os eleitores esperam mais, e fizeram-no pagar por isso. E agora terá que explicar como apresentou uma moção de censura que destruiu a esquerda, reduziu-lhe os deputados para metade e levou uma maioria de direita ao poder. Um ano de políticas ziguezagueantes transformou o BE numa amostra daquele que pode ser, e que se espera dele. Pelo menos eu. Mas será agora que se decidirá o seu futuro. Um tempo de reflexão e que certamente trará um caminho melhor definido e construído em bases mais sólidas. É na crise que nasce o futuro.
Para esta renovação da esquerda, muito importará o PS. Que ninguém duvide que o PS voltará fortíssimo e pronto para derrotar o PSD daqui a 4 anos. Terá que escolher bem que caminho irá seguir. Se um discípulo de Sócrates ou se retornará ao seu início, mais intimamente ligado à esquerda. A ala esquerdista do PS adormecida, acordará e tentará dominar os centristas no poder. E só ganhará com isso. Para o outro lado já temos o PSD, terá que ser no eleitorado que perdeu que o PS retornará ao êxito. E não será com António Seguro ou outro qualquer gafanhoto engravatado, terá que ser um político e não um seguidor de líderes. Gostava que avançasse o António Costa. A ver vamos qual será o trilho que os socialistas escolheram para o seu futuro. Mas reafirmo que é uma oportunidade única para a esquerda se reinventar e progredir. A mudança que se ouve em todos os slogans de 4 em 4 anos, não pode ser apenas uma palavra, terá que ser uma movimento, um objectivo.
O grande obstáculo foi ultrapassado (José Sócrates), agora é calmamente saber traçar o caminho.
O apelo ao voto é universal. De todos os quadrantes, de todos os partidos. Até dos nobres apartidários.
Eu vou ter um governo cheio de boys.
Vou ter um governo que encomenda estradas ao colega Jorge Coelho.
Vou ter Parcerias Público-Privadas cheias de ex-políticos em cargos administrativos.
Vou ter um País com a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos. (desde que há registos)
Vou ter um País com o pior crescimento económico da zona euro.
Vou ter um País com uma dívida a rondar os 100% do PIB.
E sem contar com as PPP e empresas públicas.
Um País com a maior dívida externa dos últimos 120 anos.
Vou ter dívida externa bruta 8x maior que as exportações.
Uma DEP de 240% do PIB
E uma DEL de 110% do PIB.
Um País com a maior taxa de emigração dos últimos 160 anos.
Vou ter a maior fuga de cérebros da OCDE
Vou ter um País onde 20 gestores sozinhos têm mil (!!!) lugares de administração de empresas nacionais. Recebem em média 300.000€ ano, alguns chegam aos 2.500.000€/ano.
Tivesse toda a gente a capacidade de trabalho e de empreendorismo destes senhores e estava o país bem. Imaginem cada um de nós a produzir por 50!
"Prefere a vitória de José Sócrates ou de Pedro Passos Coelho? Se me pusesse perante esta escolha não saberia o que responder.
Não lamento, não acho que o PS e este PSD sejam iguais. É verdade que o que Sócrates fará por falta de coragem Passos fará por convicção. Dá, infelizmente, quase no mesmo. Sendo certo que, apesar de ambos claramente incompetentes, o primeiro fará o que a troika decidiu e o segundo tentará ir mais longe. E nisso pode haver uma diferença.
Só que uma vitória de Sócrates teria como resultado a sua permanência na liderança do PS. Ou seja, o bloqueio, por mais dois ou três anos, do centro-esquerda e do deprimente panorama político português. E o lento reforço da direita. A média prazo, a esquerda (eleitorado do Ps incluído) acabaria por pagar um preço demasiado alto, por esta vitória sem, na prática, ganhar grande coisa.
A questão é esta: se o programa do próximo governo está decidido, não seria preferível que esta crise servisse para nos livrarmos de Sócrates e iniciar-se uma profunda renovação de toda a esquerda portuguesa? Sem Sócrates tudo ficará em aberto. Com ele, continuará a degradação ideológica e ética do PS e do País.
O problema é que com Passos Coelho teremos um grupo de lunáticos extremistas no governo. Sem ele, o PSD rumará ao centro para o bloco central. Com ele, a direita chega ao poder no momento em que o ataque ao Estado Social é mais fácil e em que tem a direcção mais radical da sua história.
Isto não está fácil para quem, à esquerda, se resigna ao "voto útil", que , como dizia Adriano Moreira, só é útil para quem o recebe.
A resposta, quanto ao meu voto, é mais simples : nem um nem outro contará com ele. Sou exigente com a democracia e não sou dos que se conforma com a inútil aritmética que transforma o meu coto em arrependimento mais que certo"
Excerto de crónica de Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
Não Daniel, não é nada igual. O que Passos faz por convicção e Sócrates por falta de coragem, não é praticamente o mesmo. É profundamente diferente. É uma questão de carácter, ou de falta dele.
Concordo contigo, na leitura que fazes na importância que estas eleições podem ter para uma reformulação de toda a esquerda. Sim, e que é necessária, necessário é também o PS, e José Sócrates é um entrave a essa reformulação política. Mas o problema das política é mesmo esse, achar-se que esta solução é aceitável porque nos pode vir a beneficiar no futuro. Hoje entregamos a crise difícil aos outros e amanhã lucramos com isso. Sei que é anti-politico mas o pensamento devia ser o bem nacional, comum e não o partidário.
Esta campanha prova que se não for um governo de lunáticos será próximo, passo o eufemismo. Mas sinceramente, confio no Pedro Passos Coelho e no Paulo Portas (sim também lá andará!) para gerirem a gaiola das loucas que se tornou o PSD, onde cada um fala à sua maneira. Concordo contigo no ataque ao estado social. Mas espero que seja feito em consciência e com ponderação. Há coisas que necessitam de ser alteradas e repensadas, e parece-me que Passos Coelho está disposto a isso. A isso e ao diálogo, que é algo vital no futuro, e não à ditadura imposta por Sócrates.
E por isso vou optar pelo voto útil, onde qualquer voto que não seja no PSD será um voto no Sócrates. Se me vou arrepender? Provavelmente. Se vai contra as minhas ideias? Em parte. Mas dia 5 de Junho, pensarei no bem nacional, e em quem se enquadra melhor na gerência governativa com a Troika. E em consciência votarei PPD-PSD o partido do Santana Lopes.