"As próximas eleições disputam-se sobretudo entre um homem que garantiu que não governaria com o FMI e agora se candidata a governar como FMI, e outro que não apoiou o PEC 4 por ultrapassar os sacrifícios que se podem exigir aos portugueses e agora propõe sacrifícios adicionais aos portugueses. O normal.
O conteúdo da campanha será ainda mais previsível. Tomei a liberdade de redigir, para ilustração de todos os eleitores, uma minuta do guião dos tempos de antena do PS e PSD. Não andará longe disto: "O acordo com a troika tem aspectos muito negativos por culpa da acção irresponsável do ___, mas acaba por ser muito melhor do que esperávamos devido ao extraordinário talento negocial e amor patriótico do ___." os espaços em branco serão preenchidos alternadamente pelas siglas PS e PSD, consoante o partido que esteja nessa altura a comunicar a sua ausência de novas propostas ao bom povo. E, no final, o bom povo preencherá determinado quadradinho branco com uma cruzinha, escolha que também costuma fazer alternadamente com as mesmas siglas."
Antes de ser criticado pelo menos caros colegas sobre o programa do PSD, queria só afirmar que não duvido da necessidade do mesmo (em alguns pontos...). O problema foi ter afirmado o contrário só para "povinho ver" adulterado aqui uma expressão tão típica quanto real.
PS: Para além do futebol, o humor parece ser a única área em que transbordamos talento, deve ser por isso que o País parece um circo.
(excerto de crónica de Ricardo Araújo Pereira in Visão 'Boca de Inferno')