Boa noite.
Sim, porque hoje não é uma noite qualquer.
É a noite em que eu fiquei a perceber, realmente, a solução do Partido Comunista Português caso um dia formasse Governo.
Ora deixa lá pensar
... ... ...
AH! Sim faz todo o sentido. A solução é fazer de Portugal um Salgueiros. Leva-se à bancarrota e começamos com outro nome, tipo Alemanha II, ou Merkeland talvez. E assim esquecem-se as dívidas e começamos como se nada fosse. Boa, Jerónimo, hoje foi realmente espectacular. Quase tanto como "críticas ao Governo PS só se perdem as que caiem no chão". Que momento divinal, fantástico mesmo esta forte retórica fundamentada.
Enfim, salva-se os momentos em que os espectadores passaram pelas brasas, de tão enfadonho que foi o debate de hoje na TVI24. Já o de ontem teve momentos altos, dignos dos maiores palcos do mundo, principalmente quando o Eng.Zé se dá ao trabalho de mandar pôr numa capa vazia uma etiqueta a dizer: "Programa Eleitoral do CDS". Onde a palhaçada já chegou, vale tudo nesta desenfreada caça ao voto. Tenham vergonha, façam política pelas pessoas e não para as pessoas.
Quero também esta semana escrever sobre algo que, já há algum tempo, me faz alguma confusão. A organização do PSD. Ninguém duvidará, pelo menos dos que acompanham a vida partidária mais de perto, que esta é, talvez, das maiores oportunidades que o partido fundado por Francisco Sá Carneiro teve de garantir uma maioria absoluta junto do eleitorado. Pois bem, parece que estão a conseguir estragar o que era fácil. As últimas semanas foram pródigas num chorrilho de asneiradas de todos os quadrantes do partido, a começar no Dr. Leite Campos, e a sua tese fantástica a que simpaticamente chamei " Em Portugal, alguém que ganhe 5800 euros líquidos de vencimento mensal, é um pobretanas sem ter onde cair morto" e a acabar no contínuo emitir de opiniões de militantes que em nada abonam o partido que representam. Social-Democratas, façam um favor a vocês mesmo, não digam disparates.
Também me parece óbvio que ninguém tem dúvidas que o Partido Socialista montou uma fortissima máquina de comunicação e marketing, que tem permitido ao seu candidato subir a pulso nas sondagens para o acto eleitoral de 5 de Junho que, diga-se de passagem, caso o PSD tivesse feito o seu trabalho, estariam mais que ganhas mesmo antes da campanha começar. E assim arriscam-se a ser obrigados a fazer Governo com o CDS caso queiram chegar ao poder, dando de novo a oportunidade a Paulo Portas de fazer mais umas comprinhas aos alemães. Só que desta vez, vão ser os jipes de guerra utilizados pelos nazis na 2a guerra mundial. Novinhos e a estrear portanto.
Para finalizar, parece-me importante, referir algumas coisas.
Sim, GT, as medidas impostas pela ajuda externa podiam ter sido implementadas por nós, caso o Estado tivesse dinheiro (que nem para pagar ordenados havia). Assim sendo, já não se trata de satisfazer este ou aquele, mas de uma verdade simples e dura. Portugal não tem um tostão furado. E para lá caminham os Portugueses e a vizinha Espanha. Não tendo nenhum background financeiro que permita implementar as medidas de forma indepedente, e numa tentativa de acalmar os mercados, era essencial este pedido de "empréstimo". Tudo o que referes em relação ao destino do dinheiro, é verdade, mas também é verdade que foram os bancos que aguentaram a banca, comprando dívida pública do Estado enquanto tiveram capacidade para isso. Assim, é meia verdade que a vinda dos gestores externa pudesse não acontecer. Tal como as privatizações de que tanto se fala. Não faz sentido no panorama actual da economia mundial manter agregado ao executivo, empresas monstruosas como a RTP ou a ANA, que geram mais despesas do que lucros, já para não falar que, nem sempre os gestores públicos tem a mesma capacidade dos gestores privados quando a política das empresas é, pura e simplesmente a obtenção de lucro.
Claro que, se fosse possivel, acabaria com a fome em África e com o flagelo da SIDA. Mas nós não somos omnipotentes. E Portugal, no estado em que se encontra, muito menos. Não podemos ter o país à beira da bancarrota e continuar a gastar dinheiro num canal de televisão que só gera prejuízos. Quem paga? As pessoas. Habituem-se a uma coisa, sai sempre dos bolsos dos mesmos.
Talvez esteja então na hora de cortar os dedos dessa mão, que todos os meses retira uma grande fatia às familias. Está na hora de emagrecer o Estado, emagrecer a despesa pública, emagrecer os custos.
Em vez de comer fora todos os dias, comam em casa. Em vez de comprar roupa da Armani, comprem da Zara ou da Bershka. Em vez de andarem de carro, andem de transportes públicos como faz a Geração à Rasca. Em vez de irem de férias para as Maldivas ou para o Brasil, vão para as Berlengas ou para o Algarve. Em vez de irem ao Pingo Doce e comprarem produtos espanhóis e alemães, vão ao Continente e comprem produtos portugueses. Em vez de serem comodistas, sejam activos e preocupados. Sejamos portugueses.
Porque só investindo em nós, resolveremos um problema que é nosso. Apenas e só nosso.
Bem haja a todos.