Introdução

Grupo de jovens, mais ou menos coerentes, uns de esquerda outros de direita, outros nem sabem de onde, deram por si a debater os mais variados assuntos a cada encontro. Ora economia ora desporto, passando pela religião até aquilo que em Portugal se chama de Política.Com a evolução dos seus percursos pessoais, e da necessidade de um local para promover essas trocas de opiniões, (já fartos de serem expulsos de certos cafés) quatro deles juntam-se e nasce este espaço. Um local para todos, onde todas as opiniões serão bem-vindas desde que civilizadas, que seja também a vossa casa. Sim, nós sabemos que parece um T1 em Sacavém, com vista para a linha do comboio. Mas não dá para mais, estamos à rasca.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Arte de Lidar

  Desde sempre que foi um espectáculo controverso. Ferozmente criticado por uns, acerrimamente defendido por outros. A arte de lidar o touro, é um espectáculo de paixão, e de ódio. Da mesma forma que há preto, porque há branco, ou há mal porque há bem. A bivalência da vida, é o facto que a torna tão bela. A perspectiva de escolha, de livre arbítrio ou simplesmente o traçar o nosso próprio caminho.

  Do ponto de vista artístico, interessa-me de sobremaneira. Quantas e quantas pelas pinturas, lindos desenhos ou recantos contos se escreveram, quantas trovas se cantarem e poemas se rimaram ou som de trombetas, e correrias desenfreadas à fronte, atrás ou em cima de cavalos, touros e outros animais selvagens.
Foi de facto, um tema que interessou de maneira particular os artistas, nomeadamente no século XIX e XX, não só na ibéria, mas um pouco por todo um mundo, onde havia arte.

  Do ponto de vista sociológico, é uma questão bastante interessante. Somos um povo predador, foi assim que nos desenvolvemos e gostamos de mostrar a nossa superioridade. Mas felizmente, da mesma maneira, que nos transformámos nos melhores selvagens, compreendemos hoje que o passo seguinte, é a civilização, e ao pouco, vários rituais selvagens vão esmorecendo. Para mim, é óbvio que com o tempo, a Tourada, será uma tradição que se irá transformar, será confinada, proibida ou regrada duramente, pois tal é consequência dos tempos. Da evolução do ser, da mesma maneira, que hoje pescar, caçar são actos controlados, rígidos e civilizados. A noção de que hoje o homem é superior a todas as raças, obriga-o, não a mostrá-lo, exibindo-se através da sua força, mas sim através da sua inteligência. Acredito que esta evolução, levará à perda de tradições e identidades próprias das nações. Mas a cultura, não é um processo estanque, é uma figura abstracta evolutiva que se vai transformando.Com as devidas comparações, A Inquisição era algo "aceite" institucionalmente, e hoje vimos o quão selvagens eram naquele tempo. Do ponto de vista sociológico esta transformação não durará 1 semana, nem 1 década, mas confio que irá acontecer.

  Finalmente do ponto de vista económico, talvez o mais discutido actualmente, toda a discussão é um disparate. Se não querem dinheiros públicos a apoiar touradas, porque são contra, sendo eu um opositor às novelas, devem elas também deixar de ser financiadas?! Será sempre uma maioria que vencerá, e hoje e durante os próximos tempos, a tourada é para ficar. Esbelta e em força, como toda a sua arte deve ser. 

  Hoje o desafio, é saber lidar com esta situação, e talvez ceder um pouco, em algumas questões. Pois a tradição não é argumento para tudo...


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Quem é o Animal?

Touro, qual é a tua raça?
Muitos nem te acham graça
Mas querem te ver todos na praça
Para ver tua desgraça

Brincam contigo, irracional
Como se fosses algum animal
Mas agora acham valentia
o que não passa de cobardia

Quer no campo, praças ou ruas
Mais vale vê-las nuas
Aquelas em que puseram a tua
Numa cabeça que vai daqui à lua

Já é algo tradicional
Tornar teu charme banal
Por algo fundamental
Como a cultura nacional

Todo isto é tradição
Por quem vive numa nação
A correr em contra-mão
Com os cornos no chão




quarta-feira, 9 de maio de 2012

Para além daquilo que se vê...

Festa Brava, sinónimo de corridas de toiros e/ou largadas adjacentes. Errado.
A Festa Brava é tudo isso mas não só. Deixem-me explicar...

Sem querer ferir susceptibilidades de quem acha todo o espectáculo uma tortura, há que ver para além disso. A Festa Brava é agricultura. É viver o campo, sentir a terra, valorizar o campino, o forcado, o toureiro e sempre o toiro. É correr as cidades e aldeias do Ribatejo nos primeiros meses de Verão e sentir o clima de festa, de convívio, de satisfação. É ver gente que não se via desde os velhos tempos de escola primária. É juntar os amigos e viver o espírito e o orgulho que traz esta festa para cada um de nós.

Não defendo que para gostarmos da festa, sermos aficionados, tenhamos que estar a correr nas ruas durante as largadas (garanto-vos que raramente me irão ver em tal situação), ou sentados nas primeiras filas de uma qualquer praça do nosso país. Gostar da festa brava, é simplesmente ser fiel aquilo que somos. Mal ou bem, é uma questão de cultura e de tradição. Discutivel? Claro, como tudo. Mas ora vejamos...

Um jovem ribatejano tem, por óbvio contacto directo, mais "condições" para gostar da Festa Brava do que um jovem do Algarve.
Um jovem madeirense tem, pelas mesmas razões, mais "condições" para gostar de poncha do que um jovem alentejano.

Salve as comparações, obviamente, a verdade é esta. É uma questão de "educação", ou se quiserem, de proximidade. Existem excepções, e com o evoluir do pensamento humano cada vez irão existir mais, porque a tendência para a igualdade das espécies e dos seres é um fim em si mesmo, para a humanidade e para a natureza.

Tudo isto para vos dizer,sou aficionado. Respeito quem não o é, como espero que esses nos respeitem a nós.

A bem da verdade há algumas coisas que sou obrigado a concordar com os movimentos anti-festa brava, como por exemplo, transmissão televisiva em canal público e aberto ou a imensidão de dinheiros autárquicos gastos em corridas. É uma festa que não é apreciada por todos, tem caracteristicas que causam mau estar em muitos cidadãos e como tal o dinheiro estatal serve para o bem maior, o bem de todos, ou se quiserem, o mal menor.

Para finalizar, que a Festa se mantenha, porque Portugal sempre existiu com ela, porque dá emprego a muitos portugueses, porque mantém viva uma série de economias adjacentes (agricultura, alimentar, artesanal, etc) e sobretudo porque só vê quem quer!

Bem haja Portugal, o galo de Barcelos, os ovos moles de Aveiro, o rancho minhoto, o bailarico madeirense, as furnas açoreanas, os dom Rodrigo ou a Festa Brava. Somos o que somos, diferentes naquilo que gostamos, iguais naquilo que nascemos, portugueses.


PS: Ponham as corridas a dar em canal pago, tributem quem faz dinheiro indevido com a festa, controlem os matadouros e os ganaderos. Tornem a festa uma tradição apenas para aqueles que realmente gostam dela.


Dâmaso Garrett

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pura Afición

Num tema onde muito se pode argumentar, divagar, apoiar, discordar ou opinar, na minha opinião existem três factores decisivos para que a festa dos touros perdure ao longo de algumas gerações.

Em primeiro lugar é uma fonte de desenvolvimento económico do nosso país, dado que gera algum emprego, seja como toureiro, ganadero ou um simples "apanha cocós", todos eles têm ainda um posto de trabalho que só é possível devido à festa brava. Em segundo lugar, e este ponto também se relaciona com o primeiro, as corridas de touros são um atractivo turístico que muitas pessoas procuram quando visitam o nosso país. Deste modo, o espetáculo taurino cativa muitos turistas quando se deslocam ao Algarve no verão, numa viagem de enriquecimento cultural pelo Alentejo ou simplesmente numa visita em torno da nossa belíssima capital. E em terceiro lugar, talvez o mais discutível, porque é uma Tradição. Assim como o Fado, o cozido à portuguesa ou o Galo de Barcelos, tudo o que envolve e engrandece todo o espetáculo taurino é um marco tão profundo da nossa cultura, que na minha opinião, jamais poderá ser esquecido ou extinto de um país de tão fortes costumes como o nosso.

Contudo não quero com isto dizer que todos os portugueses têm de ser apreciadores de corridas de touros, isto é algo que já está dependente de vários factores, tais como o local onde se nasceu, a influência que se obtém numa fase mais tenra da vida ou com a própria tendência que cada um tem para gostar do que quer que seja. Agora não acho certo que tentem acabar com algo que já está tão enraizado, que dá tanto valor ao nosso país e que sobretudo nos diferencia.

Mas se algum dia for decidido na Assembleia da República que as corridas de touros vão terminar (algo que eu acho que nunca irá acontecer), será o dia em que realmente já todo o país estará mesmo À Rasca!

Jacques Garrett

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A verdadeira coragem!

Não esperando outra coisa dos meus aficionados companheiros, é clara a minha posição a favor da festa brava, não fosse eu um Ribatejano. E como aficionado vos escrevo, em prol da falta de crédito dada aos verdadeiros corajosos do espectáculo, muitas vezes subestimados,os quais sem verem o verdadeiro valor reconhecido pela multidão que, em vez de aplaudir (excepto na feira de Outubro em Vila Franca de Xira) os goza e rebaixa, fazendo sempre o seu trabalho independentemente das condições da praça, um pouco à semelhança do lema dos correios de USA ( faça sol ou vento, chuva...bláblá). Falo do corajoso homem que entre lides, entra de cabeça erguida, arena dentro e sob o olhar atento dos espectadores recolhe a verdadeira bosta (sinónimos: merda, poia , cócó; acho que entenderam) dos animais integrantes do espectáculo. Sim, muito mais que encarar um bicho de 600 kg, a verdadeira coragem é enfrentar uma bosta de um animal de 600 kg. Ora pensem um pouco, seriam vocês capazes de fazer tal coisa perante 100, 200, 300,..., X pessoas? Eu digo já que não, é preciso tomates, e uns bem maiores que os de um bicho de 600 kg! 

Cumprimentos, o vosso Gastão Garrett

Só te falta o SPA porque de resto tens tudo!

De Piriquito
Para Touro

Meu caro amigo cornudo, tenho andado aqui ocupado a voar de um lado para o outro na minha gaiola e queria pedir-te um favorzinho. Sei que tens grandes amigos com grandes cargos, aqueles que te defendem sempre que há corridas. Queria perguntar-te o que é que é preciso fazer para também ser amigo deles. É que sinceramente ando a ficar um bocado farto disto, tu que és um gajo de grandes famílias, andas a tua vida toda a passear pelos campos com os teus putos, tens comida da boa, veterinários que vão dando um olhinho por ti, se te portares bem na arena trazem-te de volta para casa e dão-te umas vacas para te entreteres e procriares assim como uma espécie de harém. Depois de morto ainda vales bastante dinheiro, fazem como que "estátuas" tuas e ainda tens amigos que vão para frente das praças gritar por ti porque à e tal quando és velho és usado nas corridas. Eu vou só mostrar-te um bocado da minha vida. Estou confinado a quatro grades. Se decido voar muito bato com a cabeça na gaiola. Estou sempre a ver as mesmas vistas fora da minha gaiola. A maior parte das vezes vivo a minha vida sozinho. Às vezes dão-me vitaminas porque não gostam de mim como sou e então tenho que mudar a cor das minhas penas. Dão-me música para eu cantar e nem tenho direito a escolher o canal da rádio. Quando canto bem e sou bonito vendem-me por uns trocos e o meu futuro quando morrer é ir para o caixote de lixo mais próximo e no entanto ninguém grita por mim, ninguém me quer salvar e ninguém me liga nenhuma. É algum tipo de descriminação por eu não ter cornos? É que se for diz-me.
Desculpa lá qualquer coisa e tenta lá dizer aos teus amigos que uma vida muito boa tens tu, eu é que não passo disto!

Cumprimentos

Piriquito!

sábado, 5 de maio de 2012

Ingénuo, o Jovem

Ingénuo é o Jovem
Incitado a acreditar
Que o seu sonho, o seu Fado
Se há-de concretizar

Hoje, ser jovem é isto
A ausência do lutar
Ser pisado, gozado, humilhado
E se resignar.

Ter as armas na mão
Mas não a confiança
Não entender, que no fundo
É a última esperança

É a total geração
Perpetuando a desgraça
Alimentando a nação,
Caindo em graça.

O futuro sóis vós,
Chegou a vossa hora
Assumir o destino, Por mais
que vos mandem embora.

Confundem-vos, falam em
degeneração, total ausência
de cultura, respeito e ambição.
Um povo desprovido de decência.

Uma geração à rasca.
Culpado seus pais,
Mas vivendo na sua casca.
Um fantasma receio do Mundo.

O Mundo sóis vós.
Chegou a vossa hora,
Todos juntos são e serão a Força
O Futuro é agora!



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Jovem no tempo

Sinto por este lado que falta uma certa oposição e um lado crítico horrendo. Hoje especialmente, não me sinto em condições de divagar sobre o quanto bom é ser jovem como os meus irmãos o fizeram. Vou relatar um lado negro que aprecio diariamente de certos jovens, mentalidades, da minha experiencia e de quem já passou por ela. Apenas por ser jovem, é sinonimo de frescura, beldade, rebeldia e de boa vida! Isto é aquilo que conhecemos hoje. Sem comparações e recuando no tempo, podemos verificar que o jovem era muita vez o sacrificado, mesmo aquele que ainda não tinha barba, já teria arranjar maneira de ganhar dinheiro para dar uma ajuda a sustentação do seu tecto, junto aos seus pais que já sufocavam na pobreza. Jovens sim, mas por pouco tempo porque davam o salto para adulto num ápice. Jovem era responsável, alias, tinha a obrigação de o ser e conhecer desde cedo a responsabilidade. Eras complicadas de sustentação no limiar da pobreza passaram pelos nossos mais velhos progenitores, mas ainda assim, eles quando jovens, viviam na mesma mas de outra forma, valorizavam, respeitavam, rivalizavam, batiam pela sua terra, pelo seu amigo, pelo seu bairro! Mas a palavra do mais velho ainda assim continuava respeitada, pelo bem da sua evolução, seja ele apenas dois ou três anos mais velho.

O jovem de hoje, é um jovem de facilidades, uma juventude prolongada, mimada e sustentada por aquele que teme que a Era difícil regresse.

Deixa chocado qualquer pessoa, numa sociedade tão evoluída como a de hoje, vídeos ridículos dentro das salas de aula, faltas de educação a um responsável pelo ensino! Será que são os programas bem cultivados numa horta fedorenta ou telenovelas de uma pobreza lastimável que lhes enchem a cabeça diariamente, ou bem no fundo da questão, são uns pais que por minha opinião não devem existir. Sempre existiu desprezo aos filhos, mas ainda é hoje uma falha a combater! Caso não seja, que me expliquem. Uma juventude sob pressão da crise que lhes é completamente alheia, mas que também não fazem questão de perceber! Uma sociedade com objetivos casa vez mais parecidos, até nas modas… Alheios a tudo e todos estes demonstram falta de disciplina, falta de vocação e por consequência, falta de habilidade!

Por outro lado e com os olhos abertos vejo jovens revoltados, protestam contra tudo, o que não deixa de ser legítimo… Mas continuam a não ser credíveis na sociedade como precisam, porque simplesmente lutam apenas para si e nunca para a sociedade. Uma participação revolucionaria não terá de ser nas ruas, pode ser em qualquer local de intervenção cívica, mas tem que deixar de ser egoísta e ser cada vez mais uma luta pelas causas da sociedade.
Jovens, sejamos rebeldes, bebamos uns copos até cair para o lado, estudemos, trabalhemos, mas que pelo menos não nos falte educação nem caracter! Preocupemo-nos com o futuro de todos e não somente com as nossas ambições paranoicas…
Façamos o breve acontecer como uma eternidade, como todos o conseguimos fazer, na altura que eramos jovens.


Jaime Garret

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Primeiro estranha-se, depois entranha-se.


Quando me apercebi, já fazias parte de mim. Sem dar por isso, insconscientemente, ficámos próximos, unidos. Estás comigo nos momentos bons e nos momentos maus, quando me divirto e quando o mundo parece desabar. Fazes-me ser irreverente, espontâneo, disponivel mas ao mesmo tempo desempenhas um largo papel no meu lado imprudente, despreocupado, desmazelado e até leviano.

Hoje, não conseguiria viver sem ti.

Quando olho em volta, uns têm tanta sorte como eu, outros já tiveram ou ainda vão ter.
Mas a diferença está naquilo que fazemos quando nos acompanhas.
Aquilo que nos dás é o nosso carácter que molda, somos o que queremos ser, quando queremos ser.
Não é por estares comigo que sou mais ou menos romântico, mais ou menos revolucionário, mais ou menos virado para pseudo comportamentos de risco ou mais adepto de alfaces ou de tomates, mas é por estares comigo que sou ligado ao mundo por um estreito cordão umbilical que me faz sentir tudo com mais avidez, com mais cor, com mais paixão.

Dos anos que passámos e que iremos passar juntos, quero retirar tudo. Quero recordar as tardes de brincadeira no infantário, e os copos na universidade. Quero lembrar as vitórias, as derrotas, as conquistas, as perdas, os amigos, os inimigos, os risos, os gritos, tudo. Quero absorver tudo e nada deixar para trás. Mas isso é impossivel. Eu e tu sabemos que apenas guardaremos as melhores e as piores memórias, porque são essas que deixam marca, são essas que nos tornam homens e mulheres hoje, pais e mães amanhã.
Moldas-me por seres tão importante sem na maioria das vezes te darmos valor porque te damos como um bem adquirido e nosso por direito, esquecendo-nos que por esse mundo fora há quem nunca tenha a chance de te conhecer, gente que foi obrigada a crescer demasiado depressa, a passar pela vida com a efemeridade de um segundo.
Eu aprendo todos os dias a dar-te valor, a estimar-te, a querer que os dias que passamos juntos nunca mais acabem, a querer ser para sempre teu companheiro.

Quando isso deixar de acontecer, é porque dei o lugar a outros e espero, minha querida juventude, que ao teu lado se tornem tão felizes como eu sou.

Dâmaso Garrett

terça-feira, 1 de maio de 2012

Jovem por dentro e por fora

Ai ai a juventude, esse estado da vida de um ser humano, que é caracterizado pelo fulgor, pujança, vivacidade, onde os sentimentos estão sempre à flor da pele e onde se vive cada pequeno momento com a maior das intensidades. Tudo isto é a época em que estamos na mocidade, mas também é o tempo dos excessos, do cometer locuras, de desafiar o perigo, de tentar atingir o inatingível e de tentar chegar até ao mais longe que conseguirmos ir. Isto caros amigos, é a juventude em plena forma.

No meu dia-a-dia ouço muitas vezes várias pessoas dizerem, que a juventude desta época está perdida, que todos abusam ao máximo que puderem, que não se sabem divertir sem recorrer a subtâncias que alteram o seu estado normal ou que que devido ao facilitismo todo que têm em conseguir algo são muito exigentes e nunca estão satisfeitos com nada. Tudo isto é verdade e provavelmente a culpa em grande parte é das gerações anteriores que deixaram que esta se fosse moldando assim. Mas também é verdade que ao longo dos tempos, cada geração foi sempre ultrapassando muitos dos limites que tinha para ultrapassar, portanto quando a geração seguinte chegou como esses limites já se encontravam quebrados, os jovens inconformados tiveram de arranjar novos. E este ciclo tem tendência para se ir repetindo ao longo dos tempos.

Mas se há uma altura na vida de arriscar, de errar, de falhar e de aprender é esta. Muita gente com mais alguma idade diz que se sente um jovem "por dentro", isto até pode ter algum fundo de verdade e eu conheço algumas pessoas que se aproximam desta ideia, mas sentirmo-nos jovens e sermos jovens é algo completamente diferente, onde há uma barreira que já foi ultrapassada. Estarmos na plenitude das nossas capacidades e termos a hipótese de definir o início do nosso caminho é algo que só acontece uma vez.

Portanto espero que a próxima geração aprenda com tudo o que de bom e mau for feito por esta, pois é assim que o ser humano vai evoluindo.

Jacques Garrett